E ainda assim, na despedida, ela não faz questão de fazer a diferença. Fez questão de voltar lá para não dizer nada, e como sempre: quase surpreendeu. Seguiu-o como uma sombra, pelos vales escuros e quentes por onde transitam os cães e também os homens.
E ele, aquele pobre diabo de sempre, dependente quimiopsicofísico de injeções de surrealismo em sua vida monótona, esperou. E mesmo não querendo, esperou. Sabia que estava se traindo. Sabia que não deveria esperar, porque a cada vez que esperava, sabia que ia ser deixado esperando. Mas mesmo assim esperava. Esperava atitude, espirituosidade, originalidade, criatividade, imaginação... e todos os outros sinônimos da palavra alma.
Mas ele sabia que aquilo que o seguia era apenas uma sombra. Uma sombra de alguem que ele pensou ter visto uma vez. Estava enganado. Não tinha visto ninguém, só tinha visto a sombra porém tamanha era sua necessidade de dividir-se, multiplicar-se, que viu na sombra os detalhes claros de quem procurava.
E durante muito tempo transferiu-se de alguma forma para a sombra, e assim, ela lhe levou uma parte da alma, tornando densa e emaranhada a trama de tentáculos que os uniam.
Enquanto isso ele sempre se perguntava, por quê sombra, não deixas de ser sombra? Mas a sombra, sombra que era, não respondia. E quando alguma coisa o incomodava, ele dizia para a sombra, cuja voz nunca ouvira. E quando essa coisa que o incomodava deixava de incomodar, a sombra mudava-se e tornava-se outra sombra, porem, ainda sombra.
Algumas vezes ele chegou a pensar que estava seguindo a sombra, mas ela era esperta, e sempre era ela que o seguia.
Um dia a sombra resolveu dizer alguma coisa, mas sombra que era, não disse nada. Ele ouviu apenas o eco do que disse alguem, alguma vez.
Até que um dia percebeu que aquela pessoa de quem ele pensou a sombra ser; aquela pessoa que procurava, não era ninguém senão sua própria sombra.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
elas.
e naquela festa louca: eu beijava ela, ela beijava ela. ela me beijava, ela grilava... ela só observava.
domingo, 3 de outubro de 2010
registros
Mil detalhes compuhnam aquela noite.
O fim de uma promessa, e uma promessa de noite boa.
A galera chega no final do expediente. Os passarinhos ja tinham cantado, e nós monitores ja tinhamos dançado. A noite foi iniciada em grande estilo.
Fomos pra casa jantar, beber e conversar. Bebemos, jantamos e conversamos. O home vibrava ao som de pink floyd enquanto fluiam conversa e cerveja. Fui tomar um banho, enquanto a outra galera chegava. Chegaram então finalmente, eu os recebi de toalha e tênis... Só pra quebrar o protocolo.
Fiz meu moonwalk na calçada e chamei-a para entrar. Ela entrou. Ficamos tomando cerveja e conversando enquanto rolava o som... depois de muito som, muita conversa e muitas chamadas não atendidas, subimos a serra na chuva, a sandalia dela quebrou e ela dizia que estava parecendo uma puta pobre.
Enquanto caminhávamos ligeiramente bêbados, pela chuva fina que caia no parque, eu sentia que o velho Buk olhava por nós.
O fim de uma promessa, e uma promessa de noite boa.
A galera chega no final do expediente. Os passarinhos ja tinham cantado, e nós monitores ja tinhamos dançado. A noite foi iniciada em grande estilo.
Fomos pra casa jantar, beber e conversar. Bebemos, jantamos e conversamos. O home vibrava ao som de pink floyd enquanto fluiam conversa e cerveja. Fui tomar um banho, enquanto a outra galera chegava. Chegaram então finalmente, eu os recebi de toalha e tênis... Só pra quebrar o protocolo.
Fiz meu moonwalk na calçada e chamei-a para entrar. Ela entrou. Ficamos tomando cerveja e conversando enquanto rolava o som... depois de muito som, muita conversa e muitas chamadas não atendidas, subimos a serra na chuva, a sandalia dela quebrou e ela dizia que estava parecendo uma puta pobre.
Enquanto caminhávamos ligeiramente bêbados, pela chuva fina que caia no parque, eu sentia que o velho Buk olhava por nós.
domingo, 9 de maio de 2010
flor do cactus
ao lixo ela disse estar acostumada.
estranho como os asnos jogam boas coisas fora.
ela me lembra minha mais selvagem essencia
lingua de fora e careta no retrato de familia.
personalidade forte. espirito livre.
que joia rara. pesada. densa.
intensa. linda.
sem cabrestos ela segue
por onde seus passos entenderem de ir
como um buraco-negro ela me atrai
em seus olhos so vejo o desgoverno e o caos
para colher a flor do cactus, é preciso enfrentar com os espinhos
mas seu cheiro compensa toda sua falta de cor.
estranho como os asnos jogam boas coisas fora.
ela me lembra minha mais selvagem essencia
lingua de fora e careta no retrato de familia.
personalidade forte. espirito livre.
que joia rara. pesada. densa.
intensa. linda.
sem cabrestos ela segue
por onde seus passos entenderem de ir
como um buraco-negro ela me atrai
em seus olhos so vejo o desgoverno e o caos
para colher a flor do cactus, é preciso enfrentar com os espinhos
mas seu cheiro compensa toda sua falta de cor.
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