domingo, 5 de dezembro de 2010

sonho estranho

um dia acordei de um sonho estranho. batendo continencia com a camisa do inter. E um gosto de beijo bom na boca.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

a sombra

E ainda assim, na despedida, ela não faz questão de fazer a diferença. Fez questão de voltar lá para não dizer nada, e como sempre: quase surpreendeu. Seguiu-o como uma sombra, pelos vales escuros e quentes por onde transitam os cães e também os homens.

E ele, aquele pobre diabo de sempre, dependente quimiopsicofísico de injeções de surrealismo em sua vida monótona, esperou. E mesmo não querendo, esperou. Sabia que estava se traindo. Sabia que não deveria esperar, porque a cada vez que esperava, sabia que ia ser deixado esperando. Mas mesmo assim esperava. Esperava atitude, espirituosidade, originalidade, criatividade, imaginação... e todos os outros sinônimos da palavra alma.

Mas ele sabia que aquilo que o seguia era apenas uma sombra. Uma sombra de alguem que ele pensou ter visto uma vez. Estava enganado. Não tinha visto ninguém, só tinha visto a sombra porém tamanha era sua necessidade de dividir-se, multiplicar-se, que viu na sombra os detalhes claros de quem procurava.

E durante muito tempo transferiu-se de alguma forma para a sombra, e assim, ela lhe levou uma parte da alma, tornando densa e emaranhada a trama de tentáculos que os uniam.
Enquanto isso ele sempre se perguntava, por quê sombra, não deixas de ser sombra? Mas a sombra, sombra que era, não respondia. E quando alguma coisa o incomodava, ele dizia para a sombra, cuja voz nunca ouvira. E quando essa coisa que o incomodava deixava de incomodar, a sombra mudava-se e tornava-se outra sombra, porem, ainda sombra.

Algumas vezes ele chegou a pensar que estava seguindo a sombra, mas ela era esperta, e sempre era ela que o seguia.
Um dia a sombra resolveu dizer alguma coisa, mas sombra que era, não disse nada. Ele ouviu apenas o eco do que disse alguem, alguma vez.

Até que um dia percebeu que aquela pessoa de quem ele pensou a sombra ser; aquela pessoa que procurava, não era ninguém senão sua própria sombra.

sábado, 9 de outubro de 2010

elas.

e naquela festa louca: eu beijava ela, ela beijava ela. ela me beijava, ela grilava... ela só observava.

domingo, 3 de outubro de 2010

registros

Mil detalhes compuhnam aquela noite.
O fim de uma promessa, e uma promessa de noite boa.

A galera chega no final do expediente. Os passarinhos ja tinham cantado, e nós monitores ja tinhamos dançado. A noite foi iniciada em grande estilo.

Fomos pra casa jantar, beber e conversar. Bebemos, jantamos e conversamos. O home vibrava ao som de pink floyd enquanto fluiam conversa e cerveja. Fui tomar um banho, enquanto a outra galera chegava. Chegaram então finalmente, eu os recebi de toalha e tênis... Só pra quebrar o protocolo.

Fiz meu moonwalk na calçada e chamei-a para entrar. Ela entrou. Ficamos tomando cerveja e conversando enquanto rolava o som... depois de muito som, muita conversa e muitas chamadas não atendidas, subimos a serra na chuva, a sandalia dela quebrou e ela dizia que estava parecendo uma puta pobre.

Enquanto caminhávamos ligeiramente bêbados, pela chuva fina que caia no parque, eu sentia que o velho Buk olhava por nós.

domingo, 9 de maio de 2010

flor do cactus

ao lixo ela disse estar acostumada.
estranho como os asnos jogam boas coisas fora.

ela me lembra minha mais selvagem essencia
lingua de fora e careta no retrato de familia.

personalidade forte. espirito livre.

que joia rara. pesada. densa.
intensa. linda.

sem cabrestos ela segue
por onde seus passos entenderem de ir
como um buraco-negro ela me atrai
em seus olhos so vejo o desgoverno e o caos


para colher a flor do cactus, é preciso enfrentar com os espinhos
mas seu cheiro compensa toda sua falta de cor.